O post de hoje é bem longo, mas ele visa esclarecer uma questão que tem incomodado alguns usuários do Civil 3D. Esta questão é:
"Como trabalhar com grandes projetos sem gerar arquivos excessivamente pesados e como compartilhar dados?"
Ultimamente tenho conversado bastante com usuários sobre melhores práticas para desenvolver projetos grandes e trabalhar com grandes arquivos e grande quantidade de informação da maneira mais eficiente possível no Civil 3D.
Todo mundo sabe que o AutoCAD Civil 3D não é o programa mais leve do mundo, então para trabalhar com o Civil 3D o usuário deve ter um equipamento compatível com as especificações do software. Além disso a maneira como os usuários organizam os dados influencia diretamente no comportamento do software.
Em sofwares mais antigos de engenharia civil (como o Land Desktop e a maioria dos demais) cada objeto ou grupo de objetos criado no desenho dava origem a um pequeno arquivo, criando assim uma quantidade enorme de arquivos, mesmo em projetos pequenos e bem simples.
Se por um lado isso cria uma série de desvantagens para o usuário, que por exemplo, quando quer enviar um projeto simples para outra pessoa, tem que enviar várias pastas cheias de arquivos para que a outra pessoa possa abrir o projeto, por outro lado esta estrutura facilita o processamento de grande quantidade de dados, pois os objetos são armazenados em arquivos externos e só são consultados, quando algum comando vai visualizá-lo ou alterá-lo. Este tipo de armazenamento de dados, que trabalha com vários arquivos, tem ainda a enorme desvantagem de que não há relacionamento entre estes objetos. Cada objeto é um arquivo separado, então não há uma relação dinâmica entre os objetos como há no Civil 3D.
Já no Civil 3D há a possibilidade de armazenar todos os objetos, sejam eles pontos, superfícies de terraplanagem, corredores, etc, em um único arquivo DWG. O que simplifica muito a vida do usuário e evita a confusão da criação de centenas de arquivos e pastas. Os objetos no Civil 3D apresentam uma relação dinâmica, ou seja, a alteração de um objeto se reflete automaticamente em todos os objetos dependentes, o que gera uma série de benefícios para o usuário, reduz o tempo necessário para fazer alterações, garante que as plantas estejam sempre com os dados corretos, além de todas as vantagens da utilização de um modelo BIM na engenharia. Por outro lado, quanto mais objetos vão sendo adicionados no modelo do Civil 3D, mais pesado o arquivo DWG fica, podendo haver perda considerável de performance e gerando situações críticas, onde se leva muito tempo para fazer qualquer operação simples, como abrir, fechar, salvar arquivos.
Resumindo, foram apresentadas basicamente dois tipos de estruturas de dados, uma com cada objeto em um arquivo e outra com todos os objetos no mesmo arquivo, se cada tipo de estrutura tem suas vantagens e desvantagens, qual seria então a estrutura mais recomendada para grandes projetos de engenharia?
A estrutura mais recomendada seria uma estrutura mista, longe dos dois extremos, sem criar um arquivo para cada objeto e sem salvar todos os objetos em um único arquivo.
A estrutura recomendada para grandes projetos baseia-se na divisão do projeto e dos arquivos em níveis que fazem sentido do ponto de vista de organização de arquivos e do ponto de vista de fluxo de projeto de engenharia. Esta divisão tira proveito ainda da relação dinâmica entre desenhos e objetos que o Civil 3D possui. Estes níveis são:
- Desenhos de base. São arquivos com informações que servem de base para a elaboração do projeto de engenharia propriamente dito, tais como, levantamentos topográficos, nuvem de pontos, superfícies do terreno natural. São itens que não irão se alterar ao longo do desenvolvimento do projeto.
- Desenhos de engenharia. Estes desenhos representam o modelo do projeto propriamente dito, são corredores projetados, tubulações projetadas, superfícies de terraplanagem, entre outros. Estes objetos não precisam ser criados nos mesmo arquivo do levantamento.
- Documentação. Após projetado o modelo, a parte de documentação, referente a elaboração de Layouts e pranchas, tabelas, relatórios, cotas, não precisa ser criada no mesmo arquivo onde está o modelo. Os arquivos de documentação podem ser criados separadamente, consultando o modelo apenas quando necessário, mas sem perder o vínculo dinâmico do Civil 3D. Ou seja, as cotas e informações estarão sempre atualizadas com os parâmetros do modelo.
Vários projetistas tem a tendência de iniciar os trabalhos com um arquivo que apresenta todos os pontos de um determinado levantamento e depois desenvolver o projeto e a documentação no mesmo arquivo. Esta abordagem leva a criação de arquivos muito grandes, que apresentarão baixa performance.
A divisão do projeto e dos arquivos em níveis facilita ainda o gerenciamento dos dados, porque cada equipe fica responsável pela sua parte do projeto, facilita a colaboração, pois várias pessoas podem acessar simultaneamente os desenhos de base e de engenharia, e facilita ainda o fluxo de trabalho, criando marcos ou etapas a serem vencidas para continuação do projeto.
Na apostila do post anterior, eu fiz questão de mostrar como é feita essa divisão e como o usuário pode utilizar esta estrutura em projetos para facilitar o gerenciamento dos dados e tornar os arquivos mais leves, utilizando Data Shortcuts, Xrefs e layouts externos, entre outras dicas. Se você tem dúvidas em como utilizar Data Shortcuts e Xrefs no Civil 3D, baixe a apostila do post anterior e faça os exercícios, caso as dúvidas permaneçam, entre em contato comigo aqui no blog, ou poste suas dúvidas no fórum de Civil 3D em português da Autodesk, ou entre em contato com seu revendedor.
Até a próxima!